Quinta feira - 2 de abril de 2015

Ouvir o Evangelho


QUINTA-FEIRA da Semana Santa de manhã – MISSA CRISMAL

Evangelho segundo S. Lucas 4, 16-21

Naquele tempo, Jesus foi a Nazaré, onde Se tinha criado. Segundo o seu costume, entrou na sinagoga a um sábado e levantou-Se para fazer a leitura. Entregaram-Lhe o livro do profeta Isaías e, ao abrir o livro, encontrou a passagem em que estava escrito: «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres. Ele me enviou a proclamar a redenção aos cativos e a vista aos cegos, a restituir a liberdade aos oprimidos, a proclamar o ano da graça do Senhor». Depois enrolou o livro, entregou-o ao ajudante e sentou-Se. Estavam fixos em Jesus os olhos de toda a sinagoga. Começou então a dizer-lhes: «Cumpriu-se hoje mesmo esta passagem da Escritura que acabais de ouvir».

Outras leituras: Is 61, 1-3a. 6a. 8b-9; Sal 88 (89), 21-22. 25 e 27; Ap 1, 5-84


O Senhor me ungiu para anunciar a Boa Nova
Para consolar e animar tantos de feridos corações,
E tantos outros que sofrem vitimas de toda a prova;
Quero que vivam para além de todas as provações.

Irei com denodo e alegria consolar os aflitos,
Tantos que vivem sem esperança e sem futuro;
Quero estar atendo ao clamor dos seus gritos,
Dizer-lhes que anda é possível um sonho maduro,

Quero estar ali, solidário, bem junto aos oprimidos,
Aos cativos quero dizer-lhes também que os libertarei;
Não os quero amargurados, muito menos vencidos,
Meus filhos este é o meu modo de ser Senhor e Rei.

Também nós seremos sacerdotes do Senhor,
Felizes, teremos o nome de ministros de Deus;
Que a nossa função seja unicamente a do amor,
Para trazer alegria e vida a todos os filhos seus.

Teófilo Minga, fms


Ouvir o Evangelho

QUINTA-FEIRA da Semana Santa à tarde – MISSA VESPERTINA DA CEIA DO SENHOR

Evangelho segundo S. João 13, 1-15

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».

Outras leituras: Ex 12, 1-8. 11-14; Sal 115 (116), 12-13. 15-16bc. 17-18; 1 Cor 11, 23-26


Entramos no coração da Semana Santa, com o chamado «Tríduo Pascal»: inicia-se ao fim do dia de hoje, com a missa vespertina da Ceia do Senhor, continua sexta-feira, com a solene acção litúrgica da Paixão do Senhor, na qual somos convidados a adorar a Cruz, e culmina na grande Vigília Pascal de sábado à noite.
As raízes da Eucaristia e da Páscoa cristã encontram-se na ceia pascal judaica, como vem descrita no livro do Êxodo que lemos na primeira leitura. Nas vésperas da saída do Egipto, depois da dura servidão imposta pelo faraó, o povo de Deus está prestes a percorrer a longa travessia que o conduz à Terra Prometida. Após a escolha de um cordeiro ou um cabrito de um ano, de o imolar ao cair da tarde e de espalhar o sangue pelos umbrais da porta, deve comê-lo assado ao fogo com pães ázimos e ervas amargas. Completa o texto que «este dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».
Quando Jesus pede aos discípulos para irem à sua frente a preparar a ceia da Páscoa, é a esta ceia judaica que se refere. Inserido na cultura e na religião judaica do seu tempo, continua a tradição dos seus antepassados, cumprindo o ritual prescrito. Prepara-se o cordeiro, os pães ázimos e as ervas amargas. A mesa é posta e Jesus senta-Se com os seus discípulos para que se desenrole o cerimonial litúrgico das bênçãos prescritas para esta refeição. Para os discípulos, até aqui tudo encaixa como previsto. Mas, a certo momento da refeição, Jesus transforma a ceia pascal judaica numa outra ceia, dando-lhe um novo significado. Não é apenas a recordação da saída do Egipto, mas é o cumprimento da sua missão de dar a vida pela redenção da humanidade. Como nos relata o Evangelho de S. João, de forma imprevista Jesus coloca uma toalha à cintura e começa a lavar os pés aos presentes. Este gesto, atribuído ao criado, é assumido por Jesus como exemplo a seguir. «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também». Diante deste gesto, somos interpelados na forma como nos colocamos ao serviço daqueles que vivem ao nosso lado, sobretudo dos mais desfavorecidos; como estamos disponíveis para colaborar com a comunidade cristã onde estamos inseridos; por fim, como a Eucaristia nos fortalece e envia em missão.
A segunda leitura, retirada da primeira Epístola de S. Paulo aos Coríntios, recorda-nos a instituição da Eucaristia, como Jesus a fez. Tomando o pão, disse: «Isto é o meu corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim»; depois, tomando o cálice, disse: «Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim».
Hoje recordamos o que o Senhor fez na Última Ceia com os seus discípulos de uma vez para sempre. É a mesma Eucaristia que se celebra todos os dias, memorial da Páscoa do Senhor e actualização daquela ceia que Jesus comeu com os seus discípulos. De certa forma, quando celebramos, é como se estivéssemos ali, há dois mil anos, a presenciar o mistério do Filho de Deus que Se faz servo dos homens e mulheres de todos os tempos.

Revista Mensageiro do Coração de Jesus | Secretariado Nacional do Apostolado da Oração | www.apostoladodaoracao.pt 


Comereis um carneiro de um ano de idade;
É a festa grande que recorda a vossa libertação;
Pelo deserto eu vos trouxe para a liberdade,
Aos meus olhos não pode existir a escravidão.

Na nova aliança Eu mesmo serei o Cordeiro,
O Cordeiro de Deus, sem mácula, por vós imolado;
Imolado não pão; imolado também no madeiro;
Sou feliz no meu corpo e sangue que é dado.

Eis a Pascoa; chegou também a minha hora;
Hora em que se adivinha a Paixão e a dor.
Judas, o que tens a fazer, fá-lo sem demora;
Antes deixo-vos o exemplo de um grande amor.

E naquela hora santa, hora da Santa Ceia,
Jesus levanta-se; servo ainda coloca o avental.
É uma hora alta em que sua alma anseia
Dizer-nos ainda o que na vida é essencial.

Teófilo Minga, fms