Sábado - 4 de abril de 2015

Ouvir o Evangelho


VIGÍLIA PASCAL NA NOITE SANTA

Evangelho segundo S. Marcos. 16, 1-8

Depois de passar o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus. E no primeiro dia da semana, partindo muito cedo, chegaram ao sepulcro ao nascer do sol. Diziam umas às outras: «Quem nos irá revolver a pedra da entrada do sepulcro?». Mas, olhando, viram que a pedra já fora revolvida; e era muito grande. Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas. Mas ele disse-lhes: «Não vos assusteis. Procurais a Jesus de Nazaré, o Crucificado? Ressuscitou: não está aqui. Vede o lugar onde O tinham depositado. Agora ide dizer aos seus discípulos e a Pedro que Ele vai adiante de vós para a Galileia. Lá O vereis, como vos disse».

Outras leituras do dia: Gen 1, 1 – 2, 2 ou 1, 1.26-31a; Slm 103 (104), 1-2a.5-6.10.12-14.24.35a ou 32 (33), 4-7.12-13.20.22; Gen 22, 1-18 ou 22, 1-2.9a.10-13.15-18; Slm 15 (16), 5.8-11; Ex 14, 15 – 15, 1; Ex 15, 1-6.17-18; Is 54, 5-14; Slm 29 (30), 2.4-6.11a.13b; Is 55, 1-11; Is 12, 2-6; Bar 3, 9-15.32 – 4, 4; Slm 18 (19), 8-11; Ez 36, 16-28; Slm 41 (42), 3.5bcd; 42 (43), 3-4; Rom 6, 3-11; Slm 117 (118), 1-2.16ab-17.22-23

Santo do dia
S. Isidoro, bispo e doutor da Igreja


No final deste dia de Sábado Santo, a Igreja reúne-se para a missa solene da Vigília Pascal. Seguindo a tradição judaica, em que os dias começavam com o pôr-do-sol, celebra-se o anúncio da Páscoa do Senhor nas vésperas de domingo. Santo Agostinho, numa homilia proferida nesta noite, notava que devemos também nós «vigiar nesta vigília, que é como a mãe de todas as santas vigílias, e na qual o mundo todo vigia»: vigiam os corações piedosos, os que zelam por todos, os que se aproximam da fé, aqueles que são amigos de Cristo. E completa o discurso dizendo: «Vigiemos, e oremos; para que tanto exteriormente quanto interiormente celebremos esta Vigília. Deus nos falará durante as leituras; falemos-Lhe também nós em nossas preces. Se ouvimos obedientes as suas palavras, em nós habita Aquele a quem oramos».
Depois do Lucernário ou o Rito da Luz, em que se faz a bênção do lume novo, acendem-se as velas e canta-se o Precónio Pascal. Dá-se então início à longa liturgia da Palavra, resumo das grandes etapas da História da Salvação. Ao longo das sete leituras do Antigo Testamento e dos respectivos salmos, somos introduzidos nos grandes marcos da caminhada do povo de Deus ao encontro do Messias esperado. Relata-se a criação do mundo, a fé do patriarca Abraão na experiência do sacrifício de Isaac, a fuga do Egipto na travessia das águas que se abrem à passagem de Moisés, a Aliança de amor de Deus na Lei e nos Profetas. Também a nossa vida é feita de acontecimentos que marcam a nossa história, uns mais serenos, alegres e fecundos, outros mais dolorosos, assinalados pela morte e pela tristeza. Em tudo isso está a marca do Ressuscitado. Nesta noite de vigília, acendamos a vela da fé que traz uma nova luz aos acontecimentos da nossa vida.
A liturgia da Palavra continua depois com a leitura da Epístola aos Romanos. Recorda S. Paulo que o baptismo nos incorpora na vida de Cristo para que vivamos uma vida nova: «Todos nós que fomos baptizados em Jesus Cristo, fomos baptizados na sua morte. Fomos sepultados com Ele pelo Baptismo na sua morte, para que, assim como Cristo ressuscitou dos mortos pela glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova». O mistério Pascal da morte e ressurreição de Jesus abre-nos a portas a uma vida mais fecunda e plena, dá sentido às mortes de todos os dias, às contrariedades, às preocupações, às incertezas, aos medos e às angústias que experimentamos tantas vezes. «Se morremos com Cristo, acreditamos que também com ele viveremos».
Por fim, é pelo Evangelista S. Marcos que nos chega hoje o anúncio da ressurreição de Jesus. A menção «ao nascer do sol (…) no primeiro dia da semana» refere-se à nova criação oferecida por Deus à humanidade redimida pela morte de Jesus. Após as trevas da crucificação, nasce a aurora da vida plena, nasce o domingo, o «dia do Senhor». É a novidade absoluta: a vida venceu a morte! Cada dia das nossas vidas é este primeiro dia da semana em que somos convidados a recriarmo-nos na ressurreição, em que tudo começa de novo com o anúncio: «Ele ressuscitou! Não está aqui!»

Revista Mensageiro do Coração de Jesus | Secretariado Nacional do Apostolado da Oração | www.apostoladodaoracao.pt


Um grande silêncio reina sobre a terra,
Um grande silencia e uma grande solidão;
Continua o grande mistério que encerra
Os passos, passos de dor, da nossa salvação.

Deus morreu na carne; morreu por todos nós;
Desceu ao túmulo à procura do velho Adão,
Para, de novo, lhe dar a vida, lhe dar a voz
E dizer-lhe: “Meu filho, amo-te de todo o coração!”.

Sou teu Deus, e vês, por ti meu tornei filho;
Venho à tua procura e por isso te digo: “Sai,
Deixa a s trevas do túmulo e abre-te ao brilho
Ao brilho da luz que sou e te condiz ao Pai.

Levanta-te; não te quero aqui adormecido;
Também tu foste criado para a vida eterna.
Como podia deixar-te aqui, assim ao olvido?!
Não! Este é o meu amor que o mundo governa.

Teófilo Minga, fms