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DOMINGO XXV DO TEMPO COMUM
Evangelho segundo S. Marcos 9, 30-37
Naquele tempo, Jesus e os seus discípulos caminhavam através da Galileia, mas Ele não queria que ninguém o soubesse; porque ensinava os discípulos, dizendo-lhes: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-l’O; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Os discípulos não compreendiam aquelas palavras e tinham medo de O interrogar. Quando chegaram a Cafarnaum e já estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «Que discutíeis no caminho?». Eles ficaram calados, porque tinham discutido uns com os outros sobre qual deles era o maior. Então, Jesus sentou-Se, chamou os Doze e disse-lhes: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: «Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».
Outras leituras do dia: Sab 2, 12. 17-20; Sal 53 (54), 3-4. 5. 6 e 8; Tg 3, 16 – 4, 3
A liturgia da Palava deste dia faz o elogio da sabedoria de Deus e recorda que a sabedoria humana nem sempre se rege pelos mesmos valores. Como cristãos, inseridos no mundo em que vivemos, temos de ser testemunhas do modo de ser e de agir de Cristo.
O Livro da Sabedoria traz-nos a reflexão dos ímpios que desafiam a fidelidade dos homens justos e piedosos. Estamos no século I a.C., num mundo judaico muito tentado pela cultura grega. Numa lógica de vida e de valores bem diferentes dos do Povo de Israel, o mundo helenizado atreve-se mesmo a sugerir: «Vejamos se as suas palavras são verdadeiras, observemos como é a sua morte. Porque, se o justo é filho de Deus, Deus o protegerá e o livrará das mãos dos seus adversários». Em continuidade com este texto, a Epístola de S. Tiago observa que «a sabedoria que vem do alto é pura, pacífica, compreensiva e generosa, cheia de misericórdia e de boas obras, imparcial e sem hipocrisia». Por seu lado, «onde há inveja e rivalidade, também há desordem e toda a espécie de más acções». A sabedoria é o conhecimento de Deus, Criador de todas as coisas, o entendimento do mistério da Encarnação de Cristo. Só tem valor se é impregnada da caridade, pelo que o verdadeiro Sábio não é só o que sabe as coisas de Deus, mas também o que as experimenta e vive com sentido de missão. Iluminado por este dom, o cristão sabe aperceber-se interiormente de Deus nas realidades do mundo e faz da sua vida uma dádiva para quem vive ao seu lado. Como vamos educando a nossa sabedoria sobre as coisas de Deus?
O Evangelho segundo S. Marcos segue o quadro da liturgia da Palavra, aplicando os critérios da sabedoria a Jesus e aos seus discípulos. Jesus anuncia a sua Paixão e morte como o sábio caminho de liberdade de quem se orienta pela vontade do Pai: «O Filho do homem vai ser entregue às mãos dos homens e eles vão matá-Lo; mas Ele, três dias depois de morto, ressuscitará». Por seu lado, os discípulos continuam fechados na sabedoria do mundo, orientada pelo poder e pelo prestígio, discutindo entre si sobre quem seria o maior. O contraste é evidente entre o amor de Jesus, preocupado em salvar todos os homens dos laços da escravidão e do pecado, e o amor pouco purificado dos discípulos, interessados em adquirir um posto privilegiado junto do Mestre. Jesus é muito claro quando afirma: «Quem quiser ser o primeiro será o último de todos e o servo de todos». Nem sempre é fácil compreender estas palavras. Jesus não está a dizer para sermos ingénuos nem que devemos condescender em tudo o que nos dizem; muito pelo contrário, temos de ser audazes no anúncio da Boa Nova. Mas, no que toca ao serviço, somos desafiados a colocar-nos numa atitude de entrega, de quem promove o outro e é capaz de se baixar para lhe lavar os pés, como Cristo na Última Ceia. É na medida em que nos damos que nos enriquecemos; quanto mais nos virarmos para fora, ao encontro de quem sofre e vive marginalizado, mais nos sentimos protegidos por Deus. Então, todos juntos, cantaremos como o salmista: «Deus vem em meu auxílio, o Senhor sustenta a minha vida».
Revista Mensageiro do Coração de Jesus | Secretariado Nacional do Apostolado da Oração | www.apostoladodaoracao.pt
Ao justo que nos incomoda armemos ciladas,
Ele que se opõe a nós e ainda nos censura;
Deus o livrará de nossas mãos manchadas,
Mas experimentemo-lo com ultrajes e tortura.
Não é esta a atitude que Tiago pede aos seus,
Quando ali vê desordem e ações viciosas;
Critica comportamentos dúbios e fariseus;
Olhar ao alto e acolher virtudes preciosas.
Meu filho, tenhamos retas intenções,
Vivamos aqui e agora sem hipocrisia;
A verdade esteja sempre em nossas ações,
Guie nossos passos Deus e a sua sabedoria.
Não queiramos a todo o custo o primeiro lugar,
Como os discípulos que discutiam na estrada;
No serviço a nossa grandeza se há de mostrar;
Esta é a grandeza grande por Deus abençoada.
Teófilo Minga, fms